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Entrevista: Com o vereador Júlio César Mendes (MDB), que confirmou sua pré-candidatura a Deputado Estadual

A Web TV Atibaia conversou com o vereador da Câmara Municipal de Atibaia, o advogado e vereador Júlio César Mendes, que inicia seu terceiro mandato consecutivo (2025–2028)

Redação
Por: Redação Fonte: Marcos Melo | POLÍTICA
23/04/2026 às 15h32 Atualizada em 27/04/2026 às 16h19
Entrevista: Com o vereador Júlio César Mendes (MDB), que confirmou sua pré-candidatura a Deputado Estadual

Em uma cidade onde os desafios do crescimento urbano convivem com demandas históricas por infraestrutura, saúde e inclusão, o papel do Legislativo ganha cada vez mais relevância. É nesse cenário que o vereador da Câmara Municipal de Atibaia, Júlio César Mendes (MDB), em seu terceiro mandato consecutivo (2025–2028) mantém um discurso que busca equilibrar tradição política, preparo técnico e presença constante nos bairros.

A reportagem da Web TV Atibaia conversou com o parlamentar para entender não apenas suas propostas, mas a forma como ele enxerga a cidade e o impacto direto de suas decisões na vida dos moradores.

Ao longo da entrevista, Júlio Mendes abordou sua trajetória, desafios do Legislativo, políticas de inclusão, infraestrutura urbana e sua visão de futuro para Atibaia e afirmou que é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano pelo MDB.

Política que começa nas ruas

Para muitos moradores de Atibaia, a política ainda é medida por algo simples: presença. E é justamente esse ponto que marca a trajetória de Júlio Mendes.

Filho do ex-vereador Oswaldo Mendes Sobrinho, que atuou por mais de duas décadas no Legislativo, ele cresceu acompanhando atendimentos em bairros, ouvindo demandas e observando de perto a realidade da população.

Mandato não é privilégio, é responsabilidade”, resume.

Mais do que herdar um sobrenome conhecido, o vereador afirma ter herdado valores — como o compromisso com a palavra e a proximidade com quem mais precisa. Mas faz questão de destacar que sua atuação acompanha as mudanças da política atual, incorporando formação jurídica e uma abordagem mais técnica.

Do Conselho Tutelar ao plenário: sensibilidade social na prática

Antes de ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Atibaia, Mendes atuou como conselheiro tutelar — experiência que, segundo ele, foi determinante para moldar sua visão sobre políticas públicas.

Foi nesse período que teve contato direto com situações de vulnerabilidade, conflitos familiares e a necessidade urgente de proteção a crianças e adolescentes.

Essa vivência ainda influencia suas decisões.

Hoje, ao analisar projetos ou cobrar ações do Executivo, o vereador afirma que leva em consideração não apenas o impacto administrativo, mas principalmente as consequências reais para as famílias.

Confiança nas urnas e cobrança nas ruas

Reeleito como o segundo vereador mais votado da cidade em 2024, com 1.995 votos, Mendes vê o resultado como reflexo de um trabalho contínuo — mas também como aumento de responsabilidade.

A rotina do mandato, segundo ele, vai além do plenário: inclui visitas frequentes aos bairros, acompanhamento de obras, diálogo com moradores e cobrança constante por respostas.

Para o eleitor, o que importa não é o número de indicações apresentadas, mas se elas se transformam em melhorias concretas.

E é nesse ponto que o vereador tenta se diferenciar: acompanhar cada demanda até que haja uma resposta — positiva ou não.

Liderança com equilíbrio em tempos de polarização

Em 2025 foi presidência da Câmara Municipal de Atibaia, Júlio Mendes enfrentou o desafio de conduzir um Legislativo em um país marcado por divisões políticas.

Mas, no nível municipal, ele defendeu outro caminho.

Para o vereador, temas como saúde, educação e infraestrutura não têm ideologia — têm urgência. E cabe ao Legislativo garantir que o debate aconteça com respeito e foco em soluções.

Sua gestão apostou na modernização da Câmara, com ampliação da transparência, digitalização de processos e incentivo à participação popular.

A ideia é aproximar o cidadão de decisões que, muitas vezes, parecem distantes, mas impactam diretamente o dia a dia.

Inclusão que vai além do discurso

Entre as pautas que mais mobilizam o vereador está a defesa do atendimento especializado para crianças com deficiência, especialmente por meio do CAADE.

Para famílias que dependem desse serviço, a preocupação é concreta: qualquer mudança pode significar perda de acompanhamento ou descontinuidade no tratamento.

Júlio Mendes se posiciona de forma firme pela manutenção de um modelo estruturado e integrado.

Ele reconhece avanços na política de inclusão em Atibaia, mas alerta que o crescimento da demanda exige mais investimento, planejamento e estrutura.

Não basta matricular. É preciso garantir atendimento de qualidade”, destaca.

Olhar para onde a cidade mais precisa

Em bairros afastados e regiões rurais, onde a poeira ou a lama ainda fazem parte da rotina, o discurso político ganha outro peso: o da urgência.

Estradas sem pavimentação, falta de drenagem e iluminação precária são problemas recorrentes em localidades como Rio Abaixo, Laranjal, Usina, Maracanã, Iara e Ponte Alta.

Para Júlio Mendes, atender essas regiões não é prioridade política — é questão de justiça.

Ele defende planejamento técnico, mas também reforça a importância da presença do vereador nesses locais, acompanhando de perto a realidade que muitas vezes não chega aos gabinetes.

Entre o apoio e a fiscalização

Embora mantenha diálogo com o Executivo, o vereador afirma que sua atuação é pautada pela independência técnica.

Na prática, isso significa apoiar projetos considerados viáveis — mas também votar contra quando identifica riscos ou falhas.

Essa postura, segundo ele, é essencial para manter o equilíbrio entre os Poderes.

O Legislativo não é adversário, mas também não é subordinado”, afirma.

O que vem pela frente

Para os próximos anos, Júlio Mendes estabelece três prioridades claras: saúde, infraestrutura e transporte público.

A defesa da criação de um hospital municipal aparece como um dos principais objetivos, ao lado da melhoria das condições urbanas e da mobilidade.

Mas, além das metas práticas, o vereador fala em algo menos visível — e talvez mais difícil de medir: confiança.

Um legado além das obras

Ao final do mandato, Júlio César Mendes diz que não quer ser lembrado apenas por números ou projetos aprovados.

Seu objetivo é deixar uma marca de coerência, responsabilidade e presença.

Em uma cidade onde o cidadão cobra resultados, mas também quer ser ouvido, a política que se sustenta no tempo parece ser aquela que consegue equilibrar técnica e proximidade.

E é exatamente nessa linha que o vereador aposta para os próximos anos em Atibaia.

A entrevista foi divida em 2 (duas) partes com 24 perguntas ao todo, que abordam diversos temas. A entrevista reforça o papel estratégico da Câmara Municipal na construção de políticas públicas e no acompanhamento das demandas da cidade, segue abaixo a 01 parte da entrevista.

1 – PARTE (ENTREVISTA COMPLETA)

1. O senhor é filho de Oswaldo Mendes, que atuou por 24 anos na Câmara. Como essa herança política influenciou sua formação e sua forma de atuar?

Sem dúvida, ser filho do Oswaldo Mendes Sobrinho foi uma influência determinante na minha formação pessoal e política. Mas eu sempre faço questão de destacar que não se trata apenas de herança de sobrenome — trata-se de herança de valores.

Cresci acompanhando meu pai nos bairros, vendo de perto a importância de ouvir as pessoas, de estar presente, de atender com respeito cada morador que buscava ajuda. Ele construiu uma trajetória de 24 anos ininterruptos na Câmara Municipal baseada na confiança, na palavra dada e na proximidade com a população. Isso marcou profundamente a minha visão sobre o que é ser vereador.

Desde muito jovem eu compreendi que mandato não é privilégio, é responsabilidade. Aprendi que política se faz com presença, com escuta e com compromisso real com os problemas do dia a dia da cidade.

Ao mesmo tempo, eu também entendi que os tempos mudaram. O cenário atual exige, além da proximidade, preparo técnico, conhecimento jurídico, transparência e instrumentos institucionais mais robustos de fiscalização. Por isso busquei minha formação em Direito, me especializei, e procurei construir uma atuação mais técnica e estratégica, sem jamais perder o vínculo com a base popular.

Se meu pai representou a consolidação de uma liderança popular forte no Legislativo, eu procuro dar continuidade a esse legado adaptando-o às exigências da política contemporânea — com mais controle, mais fiscalização, mais formalidade nos atos e mais transparência.

A maior herança que recebi não foi política, foi moral: o compromisso com Atibaia, o respeito às pessoas e a convicção de que o mandato pertence à população.

E é assim que procuro atuar todos os dias.

2. Antes de ser vereador, o senhor foi conselheiro tutelar e assessor parlamentar. De que forma essa experiência moldou sua visão sobre políticas públicas?

Antes de assumir o mandato, atuei como assessor parlamentar e como conselheiro tutelar, experiências que contribuíram diretamente para a forma como hoje enxergo as políticas públicas.

Como assessor parlamentar, tive a oportunidade de compreender o funcionamento do Legislativo, a importância da técnica legislativa e a responsabilidade na elaboração de projetos, requerimentos e indicações.

Mas foi a atuação como conselheiro tutelar que mais marcou minha visão sobre a política pública. No Conselho Tutelar, lidamos diariamente com situações de vulnerabilidade social, conflitos familiares e a necessidade de proteger crianças e adolescentes. Essa experiência trouxe uma forte sensibilidade social e mostrou, na prática, como as decisões do poder público impactam diretamente a vida das famílias.

Aprendi que a prevenção é fundamental e que as políticas públicas precisam atuar de forma integrada, envolvendo educação, assistência social, saúde e segurança.

Hoje, como vereador, levo essa vivência para o mandato, sempre buscando decisões e ações que realmente atendam às necessidades da população, especialmente das famílias que mais precisam.

Essa combinação é o que orienta a minha atuação na Câmara Municipal.

3. Em 2024, o senhor foi o segundo vereador mais votado da cidade, com 1.995 votos pelo MDB. A que o senhor atribui esse resultado expressivo?

Recebo esse resultado com muita gratidão e, acima de tudo, com senso de responsabilidade. Ser novamente o segundo vereador mais votado da cidade, agora com 1.995 votos, é motivo de honra e demonstra que a população acompanha e reconhece o trabalho realizado. Em 2020, também tive essa confiança ao ser o segundo mais votado, com 1.553 votos, o que reforça ainda mais a responsabilidade com o mandato.

Atribuo esse resultado a alguns pilares fundamentais.

Primeiro, à presença constante nos bairros, mantendo uma atuação próxima da comunidade, ouvindo demandas, acompanhando obras, cobrando soluções e dando retorno às pessoas.

Segundo, à postura firme de fiscalização, que é um dever constitucional do vereador, cobrando planejamento, transparência e eficiência do poder público.

Terceiro, à coerência entre discurso e prática, mantendo uma atuação responsável, com respeito institucional e compromisso com Atibaia.

Também acredito que a comunicação transparente e o diálogo com a população contribuíram para esse resultado, permitindo que o cidadão acompanhe de perto o trabalho realizado.

Mas faço questão de destacar: voto não é conquista pessoal, é confiança depositada. E confiança precisa ser honrada todos os dias.

Esse resultado reforça ainda mais meu compromisso de continuar trabalhando com responsabilidade, firmeza e dedicação, sempre lembrando que o mandato pertence à população de Atibaia.

4. Existe diferença entre o Júlio César Mendes do primeiro mandato e o que inicia agora o terceiro? O que mudou em sua postura e prioridades?

Sem dúvida existe uma evolução — e ela é natural. A experiência amadurece o parlamentar.

No primeiro mandato, eu tinha muita disposição, energia e vontade de transformar. Era um momento de aprendizado intenso sobre a dinâmica do Legislativo, sobre os limites institucionais do mandato e sobre a complexidade da administração pública. Foi um período importante para consolidar minha identidade política e compreender, na prática, como transformar demandas da população em instrumentos formais de cobrança.

No segundo mandato, já com mais experiência, a atuação se tornou mais estratégica. Passei a utilizar de forma mais técnica os mecanismos de fiscalização, os requerimentos fundamentados, a articulação administrativa e o acompanhamento sistemático das políticas públicas. Houve uma ampliação do diálogo institucional e uma visão mais ampla da cidade como um todo.

Agora, iniciando o terceiro mandato, sinto que há uma postura ainda mais madura e responsável. Hoje tenho clareza maior das prioridades estruturais do município, da necessidade de planejamento de longo prazo e da importância de decisões baseadas em dados e critérios técnicos.

O que mudou não foi o compromisso — esse permanece o mesmo desde o primeiro dia. O que mudou foi a forma de atuar: mais estratégica, mais técnica, mais preparada para enfrentar os desafios complexos da administração contemporânea.

Continuo com a mesma proximidade com a população, herança que aprendi dentro de casa. Mas hoje uno essa proximidade com experiência institucional, conhecimento jurídico e responsabilidade administrativa.

A evolução faz parte do processo. E a cada mandato, a responsabilidade aumenta — porque a confiança da população também aumenta.

5. O senhor assumiu novamente a presidência da Câmara no ano de 2025. Quais foram os principais desafios administrativos e políticos?

Assumir novamente a presidência da Câmara Municipal de Atibaia é uma grande responsabilidade. Como o mandato da presidência é anual, tive a oportunidade de exercer essa função em 2022 e novamente em 2025, o que amplia ainda mais o senso de compromisso com a condução institucional do Legislativo.

A função de presidente exige equilíbrio, responsabilidade administrativa e capacidade permanente de diálogo.

Do ponto de vista administrativo, um dos principais desafios é continuar o processo de modernização e fortalecimento institucional da Câmara, com foco em:

  • aperfeiçoar os mecanismos de transparência;

  • ampliar o acesso digital às informações legislativas;

  • garantir eficiência na gestão dos recursos públicos;

  • valorizar os servidores;

  • modernizar os processos internos.

A sociedade hoje exige cada vez mais clareza, agilidade e responsabilidade na gestão pública, e o Legislativo precisa acompanhar essa evolução.

No campo político, o desafio é manter o equilíbrio institucional. O presidente da Câmara deve conduzir os trabalhos com imparcialidade, respeitando a pluralidade de ideias e garantindo que o debate democrático ocorra de forma responsável.

Também é essencial preservar a independência entre os Poderes. A Câmara precisa manter diálogo com o Executivo, mas sem abrir mão do seu papel de fiscalização.

Outro ponto importante é aproximar ainda mais o Legislativo da população, fortalecendo audiências públicas, canais de participação e mecanismos de escuta da sociedade.

Presidir a Câmara não significa exercer poder, mas sim assumir uma responsabilidade institucional. Meu compromisso é conduzir esse período com seriedade, transparência e respeito à democracia, sempre colocando o interesse público em primeiro lugar.

6. Como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), qual tem sido sua prioridade na análise dos projetos que chegam ao Legislativo?

Presidir a Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara Municipal de Atibaia é uma das funções de maior responsabilidade técnica dentro do Legislativo.

A CCJR é a porta de entrada dos projetos. É nela que analisamos a constitucionalidade, a legalidade, a competência legislativa e a técnica redacional das propostas antes que avancem para votação em plenário.

Minha prioridade tem sido garantir três pilares fundamentais.

Primeiro, segurança jurídica. Nenhum projeto pode avançar se não estiver rigorosamente adequado à Constituição, à Lei Orgânica do Município e ao ordenamento jurídico vigente. Aprovar algo que depois venha a ser questionado judicialmente gera insegurança e prejuízo à população.

Segundo, responsabilidade institucional. Muitas vezes o Legislativo precisa ter prudência. Nem toda proposta que é popular no discurso é viável juridicamente ou financeiramente. A CCJR tem o papel de agir com equilíbrio, evitando decisões precipitadas.

Terceiro, qualidade legislativa. Trabalhamos para que os textos sejam claros, objetivos e tecnicamente corretos. Uma lei mal redigida gera interpretações equivocadas e dificuldades na aplicação prática.

Nosso foco não é travar projetos, mas qualificá-los. Quando há ajustes necessários, buscamos diálogo, orientamos adequações e contribuímos para que as propostas cheguem ao plenário mais seguras e bem fundamentadas.

A CCJR não é uma comissão política; é uma comissão técnica. E é assim que procuro conduzir os trabalhos: com responsabilidade jurídica, respeito ao devido processo legislativo e compromisso com a segurança institucional do município.

A boa legislação é aquela que nasce sólida, transparente e aplicável — e esse tem sido o nosso norte.

7. Em um momento de polarização política no país, como manter o diálogo e a harmonia dentro do Legislativo municipal?

Vivemos um momento de forte polarização política no país, mas é importante compreender que o papel do Legislativo municipal é diferente do cenário nacional. Na Câmara Municipal de Atibaia, o foco precisa ser a cidade, não disputas ideológicas amplas.

Manter o diálogo e a harmonia exige maturidade política. O primeiro passo é separar divergência de desrespeito. Divergir faz parte da democracia. O que não pode acontecer é transformar diferenças de opinião em conflitos pessoais ou institucionais.

Durante o período em que tive a responsabilidade de presidir a Câmara, busquei sempre garantir um ambiente de respeito às posições de cada vereador, assegurando espaço para o debate e responsabilidade na condução dos trabalhos legislativos. O plenário deve ser o espaço da argumentação e da construção de soluções, não da radicalização.

Outro ponto fundamental é lembrar que os problemas da cidade não têm partido. Quando falamos de saúde, educação, infraestrutura, mobilidade ou assistência social, estamos tratando de demandas concretas da população. Essas pautas precisam unir esforços, independentemente de posicionamentos ideológicos.

O diálogo institucional com o Executivo também deve seguir essa lógica: independência com responsabilidade. A Câmara fiscaliza, mas também contribui na construção de soluções quando necessário. O confronto permanente não resolve problemas; o equilíbrio institucional ajuda a avançar.

A polarização nacional não pode contaminar o ambiente local a ponto de prejudicar o funcionamento do município. O cidadão espera resultados, não embates políticos.

Preservar a harmonia no Legislativo é fortalecer o respeito, valorizar o debate qualificado e colocar o interesse público acima de qualquer disputa circunstancial. Esse deve ser sempre o compromisso de quem exerce a vida pública.

8. O senhor tem sido uma voz ativa na defesa do CAADE. Por que considera fundamental manter o atendimento centralizado para crianças com deficiência?

Tenho sido, sim, uma voz firme na defesa do CAADE porque estamos tratando de algo que vai muito além de estrutura administrativa — estamos falando de crianças, de famílias e de políticas públicas especializadas.

O atendimento centralizado para crianças com deficiência ou com dificuldades de aprendizagem não é apenas uma questão organizacional. Ele garante padronização técnica, equipe multidisciplinar integrada, acompanhamento contínuo e especialização concentrada em um único espaço preparado para essa finalidade.

Quando o serviço é centralizado, há:

  • Maior articulação entre profissionais da psicologia, fonoaudiologia, pedagogia e assistência social;

  • Troca constante de informações técnicas sobre cada caso;

  • Construção de protocolos unificados;

  • Ambiente estruturado para atendimento especializado;

  • Segurança e previsibilidade para as famílias.

Descentralizar sem planejamento adequado pode fragmentar o atendimento, gerar descontinuidade terapêutica e prejudicar o acompanhamento das crianças. Políticas públicas nessa área exigem cautela, estudo técnico e diálogo prévio com os profissionais que atuam diretamente no atendimento.

Além disso, o CAADE tem uma história consolidada na cidade, com mais de duas décadas de atuação. Não se pode alterar um modelo que funciona sem apresentar dados técnicos claros, planejamento de transição e garantia de que não haverá prejuízo às famílias.

Minha defesa não é ideológica; é técnica e humana. Crianças com deficiência precisam de estabilidade, continuidade e estrutura adequada. Qualquer mudança deve priorizar o interesse delas, não uma reorganização administrativa apressada.

A educação inclusiva e o atendimento especializado não são despesas — são investimentos sociais. Defender o CAADE é defender o direito dessas crianças a um atendimento digno, estruturado e eficiente.

Esse é o compromisso que assumo como vereador: colocar sempre as pessoas no centro das decisões.

9. Como avalia atualmente a política de inclusão educacional em Atibaia? O município está preparado para atender a demanda crescente?

A política de inclusão educacional é um dos maiores desafios contemporâneos da administração pública. Em Atibaia, houve avanços importantes nos últimos anos, especialmente no reconhecimento da necessidade de ampliar o atendimento especializado e fortalecer o suporte às unidades escolares. No entanto, precisamos ter clareza: a demanda tem crescido de forma significativa, e isso exige planejamento contínuo e investimento estruturado.

Hoje, a inclusão não pode ser tratada apenas como matrícula na rede regular. Inclusão verdadeira exige:

  • Profissionais capacitados e em número suficiente;

  • Equipes multidisciplinares estruturadas;

  • Formação continuada para professores;

  • Apoio pedagógico especializado;

  • Infraestrutura adequada nas escolas;

  • Planejamento técnico baseado em dados.

O município tem profissionais comprometidos e experiências positivas, mas ainda enfrenta desafios para acompanhar o ritmo do crescimento da demanda. A ampliação de diagnósticos, a maior conscientização das famílias e a necessidade de suporte individualizado tornam indispensável uma política pública organizada, integrada e financeiramente sustentável.

É preciso pensar a inclusão como política permanente de Estado, não como ação pontual de governo. Isso significa prever recursos no orçamento, estruturar equipes, garantir continuidade de atendimento e promover diálogo constante com profissionais da educação e com as famílias.

Portanto, minha avaliação é equilibrada: há esforço e dedicação dos servidores, mas o sistema precisa ser fortalecido para atender com qualidade a demanda crescente. Inclusão exige estrutura. E estrutura exige planejamento, responsabilidade fiscal e prioridade administrativa.

Nosso papel no Legislativo é justamente acompanhar, fiscalizar e cobrar que essa política evolua com segurança, técnica e sensibilidade social, garantindo que nenhuma criança fique sem o atendimento adequado.

10. Sua formação em Direito e pós-graduação em Legislação Educacional influenciam diretamente sua atuação nessa área?

Sem dúvida, minha formação em Direito e a pós-graduação em Legislação Educacional influenciam diretamente minha atuação, especialmente nas pautas relacionadas à educação e às políticas públicas sociais.

O Direito me proporciona base técnica para compreender os limites constitucionais, as competências do município e a responsabilidade legal da administração pública. Isso é fundamental para que a atuação parlamentar seja responsável, segura e alinhada ao ordenamento jurídico.

Já a especialização em Legislação Educacional amplia essa visão dentro de um campo extremamente sensível. A educação é uma política pública complexa, regida por normas federais, estaduais e municipais, além de diretrizes pedagógicas específicas. Entender esse arcabouço legal permite analisar projetos, propostas e decisões administrativas com maior profundidade técnica.

Essa formação me ajuda a:

  • Avaliar juridicamente políticas educacionais;

  • Identificar possíveis riscos legais ou falhas normativas;

  • Cobrar cumprimento de leis e diretrizes nacionais;

  • Contribuir tecnicamente na elaboração de propostas;

  • Fiscalizar com responsabilidade e embasamento.

Mas faço questão de destacar que formação acadêmica, por si só, não resolve problemas. Ela precisa estar aliada à sensibilidade social e ao diálogo com profissionais da área. Educação não é apenas norma; é realidade vivida dentro das escolas.

Procuro unir esses dois aspectos: conhecimento técnico e escuta ativa. A formação jurídica me dá segurança institucional; a vivência política e comunitária me dá percepção prática.

Essa combinação fortalece minha atuação e me permite contribuir de forma mais qualificada para o debate educacional em Atibaia.

11. E para esse ano, ouvimos que tem novidade, pretende disputar uma vaga da assembleia estadual? Há muito tempo Atibaia não tem um Deputado Estadual da cidade, o que pensa sobre isso?

Essa é uma pergunta legítima e que naturalmente surge quando o trabalho ganha visibilidade.

Atibaia, de fato, há muitos anos não possui um representante próprio na Assembleia Legislativa. Ter um deputado estadual com vínculo direto com a cidade pode fortalecer a interlocução regional, ampliar a captação de recursos e dar mais protagonismo às pautas locais no cenário estadual.

No entanto, uma decisão dessa magnitude não pode ser tomada com base em especulação ou expectativa isolada. Ela exige responsabilidade política, diálogo com a população, com o grupo político e uma análise sobre viabilidade, momento e projeto coletivo.

Recentemente, inclusive, estive na executiva estadual do MDB para um alinhamento político regional, discutindo cenários e estratégias para o fortalecimento do partido na região. Esses diálogos são importantes para compreender as necessidades do município e também as diretrizes partidárias.

Meus eleitores têm acompanhado nas minhas redes sociais algumas movimentações, reuniões partidárias e muita gente tem me perguntado sobre isso, atualmente sou pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano pelo MDB. É mais um desafio que coloco na minha trajetória, com muita responsabilidade, depois de tantos anos de trabalho na nossa cidade.

Entendo a importância estratégica de Atibaia voltar a ter representatividade estadual. E, se houver um entendimento do partido e do grupo político de que posso contribuir nesse processo, coloco-me à disposição para ajudar, sempre com responsabilidade e diálogo.

*Acompanhe as entrevistas da WEB TV Atibaia, logo publicaremos a segunda parte da entrevista com o Vereador Júlio Mendes, Aguardem!

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