Terça, 15 de Setembro de 2026
14°C 19°C
Atibaia, SP

Seguro de transporte reduz riscos na logística

CEO da Genebra Seguros explica que a contratação de apólices para cargas deve estar ligada a um plano amplo de gestão de riscos, e não apenas à exigência contratual

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
15/09/2026 às 15h39
Seguro de transporte reduz riscos na logística
Imagem do Magnific/muhammad.abdullah

O transporte rodoviário de cargas segue como uma das etapas mais expostas aos riscos das cadeias produtivas brasileiras. Roubos, acidentes e avarias podem comprometer prazos, elevar custos e, em casos extremos, ameaçar a continuidade de empresas de pequeno e médio porte. Um levantamento da NTC&Logística mostra que o país registrou 8.570 ocorrências de roubo de carga em 2025, número 16,7% menor que em 2024, mas ainda responsável por prejuízos estimados em cerca de R$ 900 milhões.

Diante desse cenário, corretoras de seguros corporativos vêm ampliando o debate sobre como o setor pode ir além da venda de apólices, atuando também na prevenção de sinistros. Para Guilherme Silveira, CEO da Genebra Corretora de Seguros, essa mudança de perspectiva é relevante para negócios menores, com menos margem financeira para absorver perdas inesperadas.

"O transporte de cargas é uma atividade naturalmente exposta a uma série de riscos, e roubos, acidentes e danos às mercadorias representam grandes impactos para a operação de uma empresa. Para aquelas de pequeno ou médio porte, esse impacto pode ser ainda maior, porque um único evento de grande proporção pode comprometer o caixa e até mesmo a continuidade da operação", avalia o executivo.

Segundo Silveira, o seguro de transporte não deveria ser tratado apenas como despesa fixa ou obrigação contratual junto a clientes e fornecedores. "Acredito que o seguro de transporte não deve ser visto apenas como uma despesa ou como uma obrigação contratual, mas precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos", afirma.

Na corretora, essa visão orienta o trabalho antes mesmo da indicação de uma apólice: a equipe busca compreender a operação do cliente, mapear os riscos mais relevantes e definir quais devem ser evitados, mitigados internamente ou transferidos por meio do seguro.

Fatores que influenciam o custo da apólice

O valor pago pelo seguro de transporte está diretamente relacionado à qualidade do risco analisado pela seguradora. Características da operação, valores transportados, rotas, tipos de mercadoria, frequência das viagens, histórico de sinistros e mecanismos de proteção entram nessa avaliação, conforme o CEO da Genebra.

"O preço do seguro está diretamente relacionado à qualidade do risco que está sendo transferido para a seguradora. Por isso, uma das melhores formas de reduzir o custo não é simplesmente buscar uma apólice mais barata, mas reduzir o risco antes de transferi-lo para a seguradora", explica.

Esse raciocínio orienta o Método Genebra: primeiro é feita uma inspeção para identificar os principais riscos e suas severidades, depois são recomendadas mudanças de processo e medidas de proteção, e só então ocorre a contratação das coberturas necessárias.

De acordo com o executivo, operações mais controladas e com processos de prevenção mais maduros tendem a apresentar um risco melhor estruturado diante do mercado segurador. O resultado esperado é menor frequência de sinistros, menor impacto financeiro das perdas e maior eficiência na contratação da apólice.

Tecnologia como aliada da prevenção

Ferramentas como rastreamento por GPS, monitoramento em tempo real de cargas e acompanhamento de padrões de condução também têm alterado a forma como o risco é avaliado no transporte rodoviário. Silveira frisa que esses recursos permitem identificar desvios de rota e agir preventivamente antes que um sinistro ocorra.

"O ponto mais importante é que isso muda a lógica do seguro: deixamos de trabalhar exclusivamente com a pergunta ‘quanto esse risco custou no passado?’ e passamos a ter cada vez mais ferramentas para responder ‘como esse risco está sendo administrado hoje?’", pontua o CEO. Para ele, esse movimento abre espaço para uma precificação mais individualizada das apólices e aproxima ainda mais os conceitos de prevenção, dados e seguro dentro das operações logísticas.

O executivo também aponta desafios estruturais para acompanhar a velocidade das transformações na logística, cada vez mais digital. Na sua percepção, o mercado de seguros historicamente concentra processos manuais e sistemas pouco integrados, o que dificulta a padronização de dados entre as seguradoras.

"A tecnologia deve permitir que o corretor seja mais eficiente e que o cliente tenha acesso a uma experiência mais simples, transparente e adequada às suas necessidades", diz Silveira. Ele revela que a Genebra desenvolveu plataforma e interfaces de programação de aplicações (APIs) próprias para viabilizar a cotação entre diferentes seguradoras, além de soluções white label voltadas a empresas sem estrutura tecnológica para uma integração própria, solução relevante sobretudo para pequenas e médias empresas.

Para o CEO da Genebra, o mercado brasileiro de seguros corporativos ainda tende a tratar a apólice como etapa posterior à definição dos demais processos da empresa. "Seguro não deveria ser encarado simplesmente como uma proteção que a empresa compra depois que todos os outros processos estão definidos. Gestão de riscos deveria começar antes da contratação da apólice", acentua.

A combinação entre dados, tecnologia, prevenção e seguro, prossegue, tende a se tornar um dos principais movimentos do setor nos próximos anos, com reflexos na forma como o capital destinado à proteção do negócio é utilizado.

Para mais informações, basta acessar: https://www.genebraseguros.com.br/

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Fato Gestora / Imagem de projeção da fachada da nova unidade do McDonald’s em Botafogo
Economia Há 12 minutos

Novo McDonald’s chega a Botafogo em imóvel da Fato Gestora

A Fato Gestora fechou uma nova locação com a Arcos Dourados, maior franquia independente do McDonald’s no mundo, em imóvel na esquina da Praia de Botafogo com a Rua Visconde de Ouro Preto. O negócio reforça a relevância de Botafogo como polo de va...

Imagem U.S. Immigration and Customs Enforcement
Economia Há 19 minutos

Fim da taxa das blusinhas favorece produtos nacionais

Com imposto de importação zerado para compras de até US$ 50 e dólar em queda, a Dogama destaca estoque nacional, entrega sem etapa alfandegária e trocas simplificadas como diferenciais para fornecedores brasileiros.

Divulgação IMOBMEET
Economia Há 31 minutos

IMOBMEET lança régua de cobrança para loteadoras

Funcionalidade permite que empresas de loteamento programem avisos automáticos por WhatsApp e e-mail a partir do vencimento de cada parcela, em um segmento que financia os próprios compradores e administra contratos que chegam a 420 meses, segundo...

ChatGPT/OpenAI
Economia Há 56 minutos

Um em cada três idosos urbanos tem sinais de depressão

Pesquisa da UFMG chama atenção para a relação entre ambiente urbano, desigualdade e saúde mental na velhice. Dificuldades de mobilidade, insegurança, renda limitada e falta de companhia podem afastar pessoas idosas de passeios, atividades culturai...

Imagem do Magnific
Economia Há 1 hora

Falhas no controle de acesso geram custos ocultos

Wesley Henrique Rosa, diretor-geral da White Segurança, explica quando a falha operacional se torna vulnerabilidade e como a integração entre tecnologia e supervisão humana pode reduzir custos sem comprometer a proteção.