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Certificação para acelerar o acesso à inovação

Levantamento aponta que certificação em gestão da inovação ganha força quando associada à análise prioritária de projetos voltados a incentivos fiscais; estudo também mostra que os principais obstáculos ao uso da Lei do Bem estão dentro das própri...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
05/09/2026 às 00h34
Certificação para acelerar o acesso à inovação
Banco de imagens/Criada por IA/OpenIA

A possibilidade de acelerar a análise dos projetos que dão acesso aos incentivos fiscais à inovação pode impulsionar a adoção da ISO 56001, norma internacional voltada à gestão da inovação. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Piera, centro de referência em gestão de inovação. Segundo o levantamento, 84,7% dos gestores afirmam que considerariam ou implantariam a certificação caso ela garantisse prioridade na análise dos projetos submetidos ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O estudo mostra que a proposta de criar uma análise prioritária para empresas certificadas em gestão da inovação encontra forte receptividade entre os gestores. Além dos 84,7% que afirmam considerar ou implantar a certificação diante dessa possibilidade, 84,6% dos respondentes apontam que a ampliação da segurança jurídica e da agilidade na análise dos projetos está entre os principais fatores que justificariam a adoção da ISO 56001.

Na avaliação da Piera, a certificação pode funcionar como um indicativo da maturidade dos processos de gestão da inovação das empresas, permitindo que organizações com práticas já estruturadas tenham maior previsibilidade e agilidade na avaliação dos projetos submetidos ao poder público.

A pesquisa também revela que os principais obstáculos para utilização da Lei do Bem vão além da burocracia. Entre os fatores apontados pelos gestores, o maior gargalo é a falta de engajamento das equipes responsáveis pelos projetos de inovação, seguida pela forma como os benefícios fiscais são refletidos no resultado financeiro das organizações. Burocracia, demora na análise dos projetos, rastreabilidade e insegurança jurídica aparecem em posições inferiores entre os fatores que dificultam o aproveitamento do incentivo.

Segundo a consultoria, esse cenário está relacionado à forma como o benefício é tratado dentro das empresas. Atualmente, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) são registrados imediatamente como despesa operacional das áreas responsáveis pelos projetos, enquanto o incentivo fiscal costuma ser reconhecido posteriormente, abaixo da linha de resultado. Na prática, o gestor percebe imediatamente o impacto do investimento sobre seus indicadores, mas nem sempre consegue visualizar com clareza o benefício financeiro proporcionado pelo incentivo, reduzindo o engajamento para ampliar sua utilização.

Para Valter Pieracciani, fundador da Piera, os resultados mostram que o debate sobre os incentivos à inovação precisa incorporar aspectos de gestão e governança, além das questões regulatórias. "Existe uma percepção consolidada de que a burocracia é o principal obstáculo à utilização da Lei do Bem, mas nossa pesquisa mostra que os maiores desafios estão dentro das próprias empresas. Quando o gestor não enxerga claramente o benefício gerado pelo incentivo, o engajamento naturalmente diminui. Ao mesmo tempo, mecanismos que tragam mais previsibilidade e agilidade para organizações que já demonstram maturidade na gestão da inovação podem estimular uma adesão maior aos incentivos."

Com base nos resultados, a Piera defende duas frentes complementares para ampliar o uso dos incentivos fiscais à inovação. A primeira é a revisão das práticas contábeis adotadas pelas empresas, tornando mais evidente o retorno financeiro dos incentivos na gestão dos projetos. A segunda é a criação de um modelo de análise prioritária para empresas certificadas na ISO 56001, permitindo que organizações com processos estruturados tenham maior agilidade e previsibilidade na avaliação dos projetos submetidos ao MCTI.

"O Brasil já dispõe de instrumentos importantes para estimular a inovação. O próximo passo é aperfeiçoar o ambiente em torno deles, criando mecanismos que valorizem empresas comprometidas com uma gestão estruturada da inovação e que tragam mais segurança e eficiência para quem investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento. Isso fortalece a competitividade das empresas e amplia o alcance das políticas públicas de incentivo à inovação," conclui Pieracciani.

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