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Empresas incorporam finanças e aproximam varejo e crédito

Movimento aproxima varejo e outros setores do sistema financeiro e ganha espaço nas discussões do FEBRABAN TECH 2026

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
04/09/2026 às 22h36
Empresas incorporam finanças e aproximam varejo e crédito
Créditos: INFOX Payments

A expansão dos serviços financeiros digitais começa a mudar também o papel de empresas que tradicionalmente atuavam apenas como comerciantes ou prestadores de serviços. Em vez de somente aceitar pagamentos, negócios de diferentes setores passam a incorporar crédito, cartões, crediário e outras soluções financeiras à relação com seus clientes, em um movimento que aproxima varejo, serviços e tecnologia do sistema financeiro.

O tema ganhou espaço no FEBRABAN TECH 2026, evento realizado entre os dias 24 e 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, SP. Entre as trilhas do evento esteve justamente a discussão sobre "finanças embarcadas e a convergência intersetorial", em um cenário no qual a tecnologia amplia a capacidade de empresas não financeiras de oferecer serviços financeiros dentro de suas próprias jornadas de consumo.

A transformação ocorre em paralelo à aceleração da digitalização do sistema financeiro. O orçamento dos bancos brasileiros para tecnologia deve alcançar R$50,4 bilhões em 2026, alta de 8% em relação a 2025, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte. Segundo a pesquisa, o orçamento destinado à tecnologia pelos bancos cresceu 58% nos últimos cinco anos. Em 2025, 83% das transações bancárias foram realizadas por canais digitais, sendo 78% pelo celular.

Para André Maniezo, CEO da INFOX Payments, que participou do FEBRABAN TECH 2026, esse ambiente abre espaço para uma mudança na estratégia de empresas que buscam transformar serviços financeiros em instrumentos de relacionamento com seus consumidores.

"A INFOX atua há décadas com tecnologia para pagamentos e crédito, mas o que levamos para a feira foi justamente essa evolução da operação: soluções que permitem às empresas estruturarem seus próprios produtos financeiros, como crediário, cartões, CDC digital e outras modalidades de crédito e pagamento", afirma Maniezo.

A lógica é particularmente relevante em um mercado no qual os meios digitais já fazem parte da rotina de consumidores e empresas. Dados divulgados pelo Banco Central em agosto de 2026 mostram que o Pix movimentou mais de R$35 trilhões em 2025, em quase 80 bilhões de transações. Ainda de acordo com o Banco Central, ao final do período analisado, 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas haviam realizado ou recebido ao menos uma transação por meio do Pix.

A evolução das infraestruturas de pagamento cria, assim, condições para que empresas explorem novas formas de relacionamento financeiro com seus próprios públicos. O Pix Automático, por exemplo, permite pagamentos recorrentes e possibilita ao pagador autorizar o uso de uma linha de crédito associada à sua conta caso não tenha saldo suficiente no momento da cobrança, segundo o Banco Central.

Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas disponibilizar meios de pagamento e passa a envolver a construção de jornadas financeiras integradas ao negócio. Para o varejo, isso pode significar transformar o crediário próprio ou um cartão private label em ferramentas de relacionamento, crédito e fidelização.

"Uma empresa pode estruturar um crediário próprio ou um cartão private label, por exemplo. Estamos falando de tecnologia para empresas que queiram oferecer serviços financeiros aos próprios clientes", reitera Maniezo.

A discussão também acompanha uma agenda mais ampla do Banco Central e do setor financeiro, marcada pela digitalização, pela ampliação das possibilidades de pagamento e pela necessidade de conciliar inovação, segurança e proteção do consumidor. Nesse contexto, durante a abertura do FEBRABAN TECH 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou os efeitos do avanço do Pix sobre a inclusão financeira e chamou atenção também para os riscos associados à maior facilidade de acesso ao crédito.

Segundo Maniezo, a tendência aponta para uma convergência cada vez maior entre tecnologia, pagamentos e crédito. "Nesse cenário, empresas de diferentes setores podem deixar de enxergar os serviços financeiros apenas como uma etapa da jornada de compra e passar a utilizá-los como parte de sua estratégia de relacionamento e geração de receita", finaliza.

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