

Sala de Espera
Nunca gostei de salas de espera. Existe um silêncio diferente nelas. Um silêncio que não vem da ausência de barulho, mas do excesso de pensamentos. Foi sentada em uma delas, aguardando uma cirurgia, que percebi uma coisa simples: ninguém espera sozinho. Enquanto tentava acalmar meus demônios e minha ansiedade, olhei ao redor. Entendi que a minha espera era apenas mais uma entre tantas. Naquele exato momento, centenas — talvez milhares — de pessoas enfrentavam o mesmo medo, a mesma incerteza, a mesma espera.
Cada pessoa carregava uma história que eu jamais conheceria. Histórias interrompidas, ainda que por algumas horas, por uma porta que se abriria chamando um nome de cada vez. É impressionante observar os rostos de quem aguarda uma cirurgia. Muitos fazem um esforço enorme para esconder a preocupação e parecer fortes diante de seus familiares. Curiosamente, a família faz o mesmo. Cada um tenta proteger o outro do próprio medo.
O momento em que o nome é chamado parece suspender o tempo. Os sorrisos, os abraços e as palavras de incentivo carregam, ao mesmo tempo, esperança e despedida. É ali que percebemos o quanto somos vulneráveis. Por alguns instantes, todas as certezas que construímos ao longo da vida parecem perder a força.
Mas o tempo não congela por causa da nossa dor. É estranho como a vida não pede licença para continuar quando o nosso coração decide parar por algumas horas.
Lá fora, o mundo continua girando. O trabalho não espera. Às cinco da tarde alguém precisaria estar no portão da escola. Alguém precisa passar no mercado. Há contas para pagar, projetos para entregar, o carro precisa ser abastecido. Cruelmente o coração é deixado naquela cadeira, porque a vida chama do lado de fora.
Enquanto isso, a sala de espera continua enchendo e esvaziando, como o mar em seu movimento constante de idas e vindas. Pessoas chegam carregando esperança. Outras saem levando alívio, notícias difíceis ou apenas mais um pouco de espera.
E o mar continua.